A franquia Tomb Raider ocupa um lugar central na história dos videogames, sendo responsável por consolidar personagens femininas como protagonistas de grandes aventuras. No entanto, ao longo de seu desenvolvimento inicial, a saga passou por diversas transformações que poderiam ter mudado completamente o rumo da série.
Desde alterações radicais na personalidade de Lara Croft até decisões técnicas e criativas inesperadas, o caminho até o sucesso foi tudo menos previsível. Bora conhecer 8 curiosidades que quase mudaram a história de Tomb Raider?
1. Lara Croft quase foi um homem
Nos estágios iniciais do projeto, o protagonista de Tomb Raider não seria uma mulher. A ideia original era criar um aventureiro chamado Fletcher Christian, claramente inspirado em Indiana Jones.
A mudança aconteceu quando os desenvolvedores perceberam que um personagem masculino poderia gerar comparações diretas e até problemas legais. A escolha por uma protagonista feminina surgiu como uma forma de diferenciar a franquia e evitar conflitos com outras propriedades famosas.
Ou seja: Lara Croft nasceu, em parte, porque a equipe não queria briga com a Lucasfilm. E ainda bem.
2. A origem da personagem seria na América do Sul
Após a decisão de criar uma protagonista feminina, Lara ainda não existia como conhecemos. O conceito inicial apresentava uma mercenária chamada Laura Cruz, com origem em algum país da América do Sul.
Durante o desenvolvimento, a equipe decidiu que uma personagem britânica se encaixaria melhor na proposta narrativa e no tom da aventura. Assim, Laura Cruz foi transformada em Lara Croft.
Imagina como seria diferente se Lara fosse sul-americana? Provavelmente teríamos muito mais aventuras na Amazônia e menos tumbas egípcias.

(Foto: Divulgação)
3. De anti-heroína a símbolo dos games
Outra mudança significativa envolveu a personalidade da personagem. Lara Croft chegou a ser idealizada como uma exploradora sem escrúpulos, disposta a trabalhar para qualquer tipo de contratante em troca de emoção e recompensa.
Esse conceito foi abandonado quando os criadores perceberam que a personagem estava se aproximando demais de uma figura vilanesca. A partir daí, Lara foi reformulada como a heroína que se tornaria referência na cultura gamer.
Menos “mercenária sem moral”, mais “arqueóloga badass com coração de ouro”. Funcionou.
4. O nome Lara Croft existe na vida real
Durante a escolha do nome da protagonista, os desenvolvedores já haviam definido “Lara”, mas ainda buscavam um sobrenome. A solução veio de forma curiosa: uma consulta a uma lista telefônica no Reino Unido revelou o nome de uma mulher chamada Lara Croft, moradora da cidade de Derby.
O nome agradou tanto que foi adotado oficialmente para a personagem. E sim, existe uma Lara Croft de verdade por aí — e ela provavelmente cansou de explicar que não, ela não explora tumbas.
5. Um erro técnico virou marca registrada
Um dos elementos mais comentados da personagem nas versões clássicas surgiu por acidente. Durante a modelagem inicial, um erro de programação acabou aumentando em cerca de 150% o tamanho dos seios de Lara.
Em vez de corrigir o problema, a equipe decidiu manter o visual, que acabou se tornando uma das características mais reconhecíveis da personagem nos primeiros jogos.
Ou seja: uma das marcas mais icônicas (e polêmicas) de Lara Croft foi literalmente um bug. E a equipe simplesmente rolou com isso.
6. As pistolas e as acrobacias têm inspiração externa
Por muitos anos, Lara Croft foi conhecida pelo uso de duas pistolas enquanto realizava movimentos acrobáticos. Essas características foram inspiradas em diferentes obras, como o anime Aeon Flux e o filme Fervura Máxima, lançado em 1992, que influenciaram tanto o estilo visual quanto a dinâmica de ação da personagem.
Basicamente: Lara é uma mistura de anime cyberpunk com cinema de ação dos anos 90. E funcionou perfeitamente.
7. Batman e 007 influenciaram o reboot
O reboot de Tomb Raider, lançado em 2013, buscou uma abordagem mais realista e humana para Lara Croft. Para isso, os desenvolvedores se inspiraram diretamente em 007 – Cassino Royale e Batman Begins, adotando uma narrativa mais crua e focada na evolução emocional da protagonista.
Menos “super-heroína invencível”, mais “humana vulnerável que precisa se tornar forte”. O resultado? Um dos melhores reboots da história dos games.
8. Tomb Raider quase não chegou ao PlayStation
Hoje associado ao PlayStation, Tomb Raider quase não foi lançado no PS1. No início, a Sony não considerou o jogo adequado para seu console, o que levou a Core Design a desenvolver o título pensando no Sega Saturn.
Após melhorias e uma nova apresentação, a Sony aprovou o projeto, permitindo que o jogo chegasse ao PlayStation. Ainda assim, a versão para o Sega Saturn foi lançada pouco depois, embora apenas o primeiro jogo tenha recebido esse tratamento.
Imagina se a Sony tivesse rejeitado Tomb Raider de vez? A história do PlayStation seria completamente diferente.
Resumo da ópera
Tomb Raider poderia ter sido muita coisa diferente: um jogo com protagonista masculino, uma mercenária sem escrúpulos, um título exclusivo do Sega Saturn, ou até uma franquia que nunca saiu do papel por problemas legais.


