A Ubisoft decidiu virar uma página importante da sua história — e não foi uma virada suave, mas sim aquelas mudanças que fazem o chão do estúdio tremer A tradicional Red Storm Entertainment deixará de desenvolver jogos, marcando o fim de uma era iniciada lá nos anos 90.
Fim de uma era tática
Fundada em 1996 pelo escritor Tom Clancy, a Red Storm foi praticamente o berço dos shooters táticos modernos. Foi dali que nasceram franquias que moldaram o gênero, como Tom Clancy’s Rainbow Six e Tom Clancy’s Ghost Recon — jogos onde pensar antes de atirar era tão importante quanto puxar o gatilho.
Agora, esse capítulo chega ao fim: todos os profissionais envolvidos diretamente na criação de jogos foram desligados, somando cerca de 105 demissões.
O que sobra da Red Storm?
Apesar do impacto, o estúdio não desaparece completamente do mapa. Ele será reconfigurado como um “cérebro técnico” dentro da Ubisoft, focando em:
- Suporte à engine Snowdrop
- Serviços de tecnologia da informação (TI)
- Infraestrutura para outros projetos da empresa
Ou seja, sai o campo de batalha criativo, entra o backstage tecnológico — menos holofote, mais engrenagem.
De elite tática ao VR
Nos últimos anos, a Red Storm já vinha mudando de identidade. Em vez de operações militares realistas, o estúdio mergulhou em realidade virtual com projetos como:
- Werewolves Within
- Star Trek: Bridge Crew
- Assassin’s Creed Nexus VR
Uma guinada ousada, mas que não foi suficiente para manter o estúdio no centro do desenvolvimento principal.
Reorganização global da Ubisoft
Essa decisão não aconteceu no vácuo. Ela faz parte de um plano maior da Ubisoft, que parece estar reorganizando seu próprio “mapa-múndi corporativo”:
- Cancelamento de múltiplos projetos
- Adiamento de outros títulos
- Fechamento de estúdios
- Meta de cortar cerca de €200 milhões em custos
Enquanto isso, outras unidades assumem o controle das grandes franquias:
- Ubisoft Montreal cuida de Tom Clancy’s Rainbow Six Siege
- Ubisoft Massive lidera Tom Clancy’s The Division
- Ubisoft Toronto trabalha no remake de Splinter Cell
O que isso significa para o futuro?
A Ubisoft está basicamente trocando um modelo mais tradicional por algo que lembra “ilhas criativas” independentes, cada uma responsável por seus próprios projetos. É uma aposta arriscada, mas também uma tentativa de evitar a burocracia pesada que muitas vezes trava grandes produções.
Para os fãs, fica aquele gosto agridoce: as franquias continuam vivas, mas um dos estúdios que ajudou a moldá-las sai de cena como protagonista.
No fim, é como se um veterano de guerra pendurasse o uniforme — não por falta de história, mas porque o campo de batalha mudou.



